sábado, 19 de julho de 2014

O que é Apraxia?

Patricia Almeida postou no grupo Síndrome de Down a seguinte entrevista:

Christiane Aquino fez a seguinte entrevista para o Movimento Down com a especialista em apraxia Renee Hill - um disturbio da fala comum em pessoas com SD.


http://www.movimentodown.org.br/2014/07/entrevista-sobre-apraxia-e-sindrome-de-down/

Renee Hill é fonoaudióloga com mais de 15 anos de experiência profissional. A especialista foi uma das palestrantes da conferência “2014 Mission Possible Down Syndrome Cruise Conference”, realizada em um cruzeiro que percorreu o Alasca, nos norte dos EUA, entre 4 e 10 de julho. O Movimento Down esteve presente no evento e traz agora uma entrevista exclusiva com Renee, que explica o que é apraxia, seus sintomas e dá exemplos de tratamentos que realiza em pessoas com o distúrbio. Estima-se que 60% das crianças com síndrome de Down tenham apraxia.
Para quem entende inglês, a entrevista pode ser vista em nosso canal no Youtube.
https://www.youtube.com/watch?v=LY8lk8sVF38&feature=youtu.be

O que é apraxia?
Apraxia é um distúrbio motor da fala, que é um pouco mais complexo do que outros problemas de fala mais recorrentes. O distúrbio ocorre no processamento neurológico, quando o cérebro não envia ao sistema motor os comandos adequados para produção do som. Por exemplo, para dizer a palavra “bola”, uma pessoa pode entender o que a palavra significa e saber pronunciá-la mentalmente, mas quando tenta vocalizar “bola”, sai outra coisa, como “dá”. E a maioria das pessoas com apraxia, que não apresentem problemas cognitivos, vai ouvir essa diferença e tentar modificar a pronúncia na próxima vez, dizendo “du” e depois “bá”, e assim por diante. É uma falha na transmissão da informação do cérebro até a boca.
Como é o tratamento de apraxia?
Quando trabalhamos com apraxia, especialmente com crianças com síndrome de Down, descobrimos que se dividimos a palavra em partes mais fáceis, focando menos o vocabulário e mais a imitação de som ou sílaba, até construir o vocábulo, geralmente temos mais sucesso no tratamento.
Outra coisa que fazemos muito é adicionar informação tátil no trabalho com crianças com o distúrbio. Quando a pessoa ouve uma informação, mas o cérebro não diz à boca como agir, nós podemos ajudá-la a sentir o que fazer, induzindo os movimentos da boca, para que a criança possa imitá-los. Essa informação tátil mostra ao cérebro o que fazer, melhorando, assim, a imitação. Tentamos aperfeiçoar as habilidades de imitação para que no futuro a gente consiga ensinar a criança a falar sílabas e palavras.
Quais os sintomas da apraxia?
Há um grande número de crianças com síndrome de Down recebendo diagnóstico de apraxia. Alguns dos indícios do distúrbio são: crianças que não balbuciam muito quando pequenas; crianças com um pequeno repertório de consoantes e, principalmente, de vogais; crianças que conseguem dizer certas palavras quando estão brincando e ninguém está falando com elas, mas que são incapazes de reproduzir a mesma palavra quando alguém lhe pede.
Os sintomas chave de apraxia na verdade são um conjunto desses indícios. Às vezes é necessário identificar de 8 a 10 características como essas para se diagnosticar uma pessoa com apraxia. Se alguém apresenta apenas uma ou duas características, pode significar um distúrbio de fala diferente. Então é realmente necessário que o profissional tenha um conhecimento de desenvolvimento motor de fala para diagnosticar corretamente uma criança com apraxia.
Não é possível, por exemplo, identificar apraxia se a criança não vocaliza, apenas balbucia. É necessária a verbalização. Em crianças com síndrome de Down há também questões de ordem motora, o que pode tornar o diagnóstico ainda mais traiçoeiro. Se a pessoa não possui um bom controle motor dos músculos, pode apresentar dificuldades na fala. Nesses casos, quando você melhora a função motora oral, a apraxia já não parece tão grave, porque as bases estão lá. Por isso estamos constantemente tentando equilibrar as diferentes funções para poder descobrir qual deles está de fato afetando a fala. Para haver progresso, precisamos ajustar a terapia frequentemente, dependendo do que vemos naquele momento.
Qual a diferença entre apraxia e disartria?
Apraxia é um distúrbio neurológico, acontece no cérebro. Disartria é um distúrbio relacionado aos músculos, há uma fraqueza muscular que afeta a clareza com que a pessoa diz a palavra. Na apraxia, a pessoa fala uma palavra claramente, mas com a vocalização errada.
Dicas de site em inglês onde é possível encontrar informações sobre apraxia e tratamentos:

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Carta a minha filha - carta que eu desejaria ter escrito para os meus filhos.

Artigo de Renato Carvalho para Rescola( http://rescola.com.br/carta-a-minha-filha-nao-deixe-que-a-escola-te-ensine/ ). Simples e direto, se aplica com perfeição ao modelo de escola que procuramos:

CARTA À MINHA FILHA: NÃO DEIXE QUE A ESCOLA TE ENSINE

RENATO CARVALHO ● 2 DE ABRIL DE 2014 ●

Clarice querida,

O mundo está mudando rápido. Bem mais rápido que as nossas escolas. Há tantas delas que ainda não perceberam que este mundo internético em que hoje vivemos é radicalmente diferente do mundo desconectado de algumas poucas décadas atrás e que nossa Educação agora pode e precisa ser muito melhor.


Mas é preciso querer ver a necessidade de mudar, e isso demora. Por mais que eu esteja otimista, não acho que os anos que te restam na escola sejam tempo suficiente para essa onda de renovação se espalhar pelo Brasil e chegar à tua sala-de-aula.

Vai ser por pouco… Você é parte da última geração de alunos da escola do passado. Ou seja, alunos de um modelo de educação igualzinho ao que eu tive, e que também foi o mesmo dos teus avós, teus bisavós, teus trisavós…

Mas se não dá para evitar que as manhãs da tua infância sejam gastas em aulas chatas e desestimulantes, você pode pelo menos ficar alerta aos defeitos desse modelo. Assim, enquanto você aproveita o que a escola pode te oferecer de bom, vai conseguir impedir que ela te ensine algumas coisas que a mim custaram muitos anos para desaprender.

Não deixe que a escola te ensine que conhecimentos podem ser compartimentados, separados em caixinhas, isolados uns dos outros.

Na escola do passado, a matemática acaba quando começa a física e a geografia acaba quando começa a história. No mundo, há biologia no esporte, matemática na música, história na literatura, gramática na programação de computadores… Por isso, depois de ver algo de perto, dê sempre um passo para trás, perceba as relações, enxergue o todo.

Não deixe que a escola te ensine que alguns conhecimentos são mais importantes que outros.
Na escola do passado, para cada aula de artes há duas de geografia e para cada uma de geografia há duas de matemática. Música, artes plásticas, esportes, religião, filosofia são tratados como matérias de “segundo time”. Quantos grandes artistas e esportistas foram vistos como maus alunos e forçados a abandonar seus talentos porque o conhecimento que lhes interessava não era o mesmo que interessava à escola! Persiga teus interesses mesmo que eles não interessem a mais ninguém.

Não deixe que a escola te ensine que há um momento específico para aprender cada coisa.
Na escola do passado, quem não consegue acompanhar a turma é tido como um fracassado e quem quer avançar mais rápido é freado, impedido. Ela exige que todos aprendam o mesmo ao mesmo tempo. Mas as pessoas não são todas iguais. Você pode ter mais facilidade que os colegas em um determinado assunto e menos em outro. Não deixe que te empurrem nem que te segurem. Respeite teu próprio ritmo de aprendizado.

Não deixe que a escola te ensine a decorar.
Ao contrário, esqueça tudo que puder. O homem dominou o planeta porque foi capaz de fabricar ferramentas que estenderam os limites das nossas mãos e pés. Agora, fomos ainda mais além e fabricamos ferramentas que estendem os limites do nosso cérebro. Não precisamos mais desperdiça-lo usando-o como um depósito de nomes, datas e fórmulas; hoje podemos aproveitar todo o potencial dele para analisar, criticar e refletir o mundo de informações que podemos acessar com um clique. A Internet é o teu HD, o cérebro é o teu processador.

Não deixe que a escola te ensine a te contentar com pouco.
Na escola do passado, as consequências de tirar nota 10 ou nota 7 são as mesmas. O aluno excelente passa de ano da mesma forma que o mediano, com, no máximo, um elogio da professora. Assim, aos poucos os alunos vão ficando satisfeitos em “passar por média”. Nunca fique contente com a média. Dê teu melhor sempre, em tudo o que fizer (inclusive nesses poucos anos que ainda te restam na escola do passado). No mundo, ao contrário da escola, a excelência faz muita diferença.

Não deixe que a escola te ensine a acreditar que ela é suficiente.
A escola do passado lamentavelmente abdicou da missão de preparar os alunos para o futuro e se limita a tentar prepará-los para o vestibular ou o ENEM. Mas a tua vida produtiva começa exatamente depois desse ponto e para ser bem sucedida nela você precisará de muito mais do que ciências, matemática, português, história e geografia. O futuro vai exigir que você tenha uma boa noção dos teus direitos e deveres para cumprir teu papel de cidadã, conheça um pouco de economia para saber gerenciar teu dinheiro, aprenda sobre empreendedorismo para fazer tuas ideias virarem realidade, tenha consciência global para compreender teu lugar no mundo, domine a Internet enquanto ferramenta de comunicação e muito mais. Há muitos conhecimentos que não estão na escola. Procure-os onde estiverem.

Não deixe que a escola te ensine que provas são capazes de medir a tua capacidade e inteligência.
A história está repleta de gênios que foram tidos como maus alunos. Eles eram considerados incapazes nas suas escolas porque estavam à frente delas e, portanto, não podiam ser medidos pelos seus testes. As provas da escola do passado servem para provar quem está mais adequado ao mundo do passado.

Não deixe que a escola te ensine que você não tem nada a ensinar.
Na escola do passado os alunos são separados em séries de acordo com suas faixas etárias e isso praticamente impede a interação entre idades diferentes. Colegas um pouco mais velhos têm muito a te ensinar e, o que é ainda mais importante, os mais novos têm muito a aprender contigo. E ensinar é a forma mais eficiente de aprender. Quando um professor detém o monopólio do ensino, ele te rouba inúmeras oportunidades de aprender ensinando e ensinar aprendendo.

Não deixe que a escola te ensine que errar é ruim.
Provas fazem isso o tempo todo, sem que os alunos percebam. Do jeito que são feitas, elas servem apenas para apontar e punir nossos erros e desperdiçam a oportunidade de nos ajudar a aprender com eles. O resultado é que aos poucos vamos nos acostumando a não arriscar e a evitar erros a todo custo. Não há nada pior para o aprendizado do que o medo de errar. Erre! Erre de novo! Erre à vontade. Erre quantas vezes forem necessárias até acertar.

Não deixe que a escola te ensine a ser apenas consumidora de ideias.
A escola do passado se limita a ruminar as ideias dos outros. Diariamente, aula após aula, os alunos mastigam, engolem e digerem um enorme cardápio de informações. Não há nenhum espaço para que eles gerem conhecimento, produzam pensamentos, criem ideias, somem. Os alunos são tratados como se fossem incapazes disso e logo se convencem dessa incapacidade. O mundo do futuro é o mundo da troca. Nele, os bem sucedidos não serão os que forem capazes de acumular mais ideias, mas os que forem capazes de distribuir mais. Escreva, desenhe, cante, dance, filme, blogue, fotografe, pinte e borde. Crie, produza, pense, gere, compartilhe.

E o mais importante de tudo, minha filha: não deixe que a escola te ensine que aprender é a mesma coisa que ser ensinado.
Toda criança nasce uma esponjinha de conhecimento ávida para absorver os comos e os porquês de tudo que vê. Essa curiosidade sem fim, essa fome de aprender costuma durar até o exato momento em que ela passa pela porta da sala de aula da primeira série da escola do passado. É nesse momento que as crianças são convencidas que aprender não é experimentar, sentir e sujar as mãos de terra ou tinta, como faziam até agora, mas sim sentar silenciosamente em cadeiras alinhadas e ser ensinado por um professor que é o dono de todo o saber e que decide sozinho a hora de começar e de parar de estudar cada assunto. O aprendizado não vem mais da interação da própria criança com o objeto que ela está conhecendo. Agora, ele é “transferido”. A criança não faz mais perguntas, ouve respostas. A busca do conhecimento não começa mais nas interrogações dos alunos, mas nas afirmações do professor; o estudo não mais se inicia na curiosidade, mas na autoridade. A criança não está mais no comando do seu aprendizado, ela não é mais um sujeito ativo no ato de aprender, é um sujeito passivo do ato de ensinar do professor. Em resumo, a criança não mais aprende, é ensinada. Não abra mão da direção da tua vida. Viver é aprender e você tem autonomia (ou seja, a liberdade e a responsabilidade) para decidir o que aprender e, portanto, como viver. Não a ceda a ninguém.

Se você conseguir impedir a escola de te ensinar essas coisas, vai acabar descobrindo que vida escolar é diferente de vida de aprendizado. E então, terá a vida inteira para desfrutar dessa incrível Era do Conhecimento que está apenas começando.

Te amo.

Teu pai

sexta-feira, 21 de março de 2014

21 de março - Dia Internacional da Síndrome de Down


Na data em que se estabeleceu para a chamada à consciência social sobre a Síndrome de Down avaliamos que colhemos inúmeras vitórias e avanços. O indicador mais significativo foi a fala da professora potiguar Débora Seabra de Moura na ONU. Acompanhem o vídeo:

http://webtv.un.org/live-now/watch/panel-discussions-on-health-and-wellbeing-access-and-equality-for-all-on-the-occasion-of-world-down-syndrome-day/2730069554001/

Nessa mesma data minha filha Alice deu entrevista a REDE TV de Natal, como visto na foto:



sábado, 15 de março de 2014

Resposta sensível

Todo mundo tem o direito de ser feliz:

Nova campanha da Saatchi & Saatchi, para a Coordown, apoia mães de pessoas com Síndrome de Down.


Resposta a uma futura mãe de uma criança com A síndrome.
Cara futura mãe: http://m.youtube.com/watch?v=T-HWySOa134

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Síndrome de Down e a educação

Com apoio e estímulo estamos chegando:

Jovem com síndrome de Down é aprovado para o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão

Genilson Protásio Filho foi acompanhado dos pais Crédito da foto: Paulo Soares
Genilson Protásio Filho foi acompanhado dos pais
Crédito da foto: Paulo Soares
Na última semana, o adolescente Genilson Protásio Filho ingressou no curso de técnico em informática do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), tendo sido aprovado em primeiro lugar, entrando pelas cotas destinadas a pessoas com deficiência. Ele se tornou o primeiro estudante com síndrome de Down da instituição.
A escolha do curso e a decisão de participar do seletivo foram do próprio estudante. Ele não escolheu a formação por acaso. Desde criança, o adolescente demonstrou facilidade com jogos eletrônicos e informática, tanto que a família lhe deu um computador e agora comprará um tablet, que é necessário para o curso do IFMA. “Eu sempre gostei de mexer em máquinas, de desmontar os brinquedos para saber como eles funcionam”, revela Genilson Filho.
Mas foi a direção da Escola Educar, percebendo as habilidades de Genilson para a área, já que no 9º ano ele participou da turma de robótica, que sugeriu à família que o estudante prestasse seletivo para uma instituição de ensino que também oferecesse curso técnico. “Eu fiquei na dúvida de onde matriculá-lo, pensei até em colocá-lo em alguma escola privada, mas conversamos com ele e ele escolheu fazer técnico em informática no IFMA”, conta Rosanilce Ribeiro, mãe de Genilson Filho.
Quando O Estado chegou em sua casa para a entrevista, ele conversava com amigos pelo celular usando o aplicativo de mensagens instantâneas mais popular da atualidade, o WhatsApp. “A gente percebeu desde cedo que ele gostava e tinha habilidade em informática, mas nós também sempre o incentivamos, tanto que compramos um computar e demos um celular”, diz Rosanilce.
No dia do seletivo, ele teve uma hora a mais para responder às questões e contou com o auxílio de um ledor para poder preencher o gabarito da prova. As aulas no IFMA começaram dia 22 de janeiro, mas só na quinta-feira (6) Genilson começou a frequentar o curso. No início da semana, ele e a mãe foram até o IFMA conhecer as instalações da instituição e seus colegas de turma, a quem já foi devidamente apresentado. “A gente também conversou com a psicopedagoga do IFMA para saber como serão as aulas”, informa a mãe.
Perfil – Genilson Filho é um adolescente introspectivo e, em seus momentos de lazer, gosta de ficar em casa jogando videogame, mas, junto com a família, ele participa de atividades que promovam a inclusão social de pessoas com algum tipo de deficiência. No ano passado, ele foi eleito presidente da Juventude do Fórum Municipal da Pessoa com Deficiência, em São Luís, movimento iniciado pelos seus pais após o seu nascimento, e participa de diversos eventos pelo estado. No mês passado, ele acompanhou o pai ao interior do estado, onde foi implantado mais um conselho municipal.
Especialistas destacam que não existem graus de síndrome de Down. O desenvolvimento dos indivíduos com a trissomia está intimamente relacionado ao estímulo e incentivo que recebem, sobretudo nos primeiros anos de vida. E o apoio dos pais foi fundamental para que Genilson Filho pudesse desenvolver suas habilidades. “Genilson nasceu de oito meses. Quando ele nasceu, a gente não sabia nada sobre a síndrome de Down, mas os médicos sempre disseram que Genilson podia ter um desenvolvimento normal, então nós procuramos entender o que era a síndrome”, conta Rosanilce Robeiro.
O primeiro contato da família com alguma fonte de informação fora dos consultórios médicos foi por meio do livro Muito prazer, eu existo, de Claudia Werneck, o primeiro livro escrito no Brasil sobre síndrome de Down para leigos. Então, em 1998, quando Genilson tinha apenas 2 anos, a família começou a participar de fóruns, eventos e congressos. “Eu fui a um congresso em Brasília e vi muitas pessoas com síndrome de Down fazendo dança, teatro e uma série de outras atividades comuns, então eu disse que queria que meu filho fosse uma criança como todas as outras”, lembra Rosanilce Ribeiro.
Ambiente escolar – Se a busca por informação e incentivo por parte da família é fundamental para que a criança com síndrome de Down possa se desenvolver, a inclusão no ambiente escolar é necessária para que ele aprenda a viver em sociedade. E este foi outro grande desafio para a família. Rosanilce queria que o filho estudasse em uma escola regular. Então buscou uma escola em que ele pudesse cursar as disciplinas normais em salas comuns. Com a ajuda de fonoaudiólogos e psicopedagogos, ela conseguiu adaptar as avaliações às necessidades do filho.
A mãe de Genilson Filho destacou que as escolas precisam ter disponibilidade para receber pessoas com deficiência. “Não é imprescindível que a escola tenha turma especial e professoras com especialização em educação especial para incluir a criança portadora de algum tipo de deficiência. O primordial é ter disponibilidade. E a escola onde eu matriculei Genilson se abriu para ele. Além das disciplinas regulares, ele fez teatro, coral, robótica”, conta.
Agora, Genilson e a família se preparam para outro desafio, o IFMA. “O IFMA tem alunos com diversos tipos de deficiência, mas Genilson vai ser o primeiro com síndrome de Down. Eu já conversei com a psicóloga da instituição para manter o mesmo padrão que eu tinha na antiga escola dele e ela disse que receber meu filho será um desafio também para ela, mas estamos prontos”, afirma a mãe.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A vida de Melissa e a Síndrome de Down

Carla Codeco e Patrícia Almeida do Yahoo Grupos – Síndrome de Down colocaram esse artigo. Nas palavras de Patrícia:

Esse artigo, muito legal, e de 2007. A moça é Melissa, filha de Steve Reggio, presidente da rede de livrarias americana Barnes and Noble. Infelizmente ela faleceu em 2008 aos 20 anos, com leucemia.

 
 Tradução:
 
Quando eu comecei a trabalhar nesta história, eu pensei que talvez eu não deveria fazer isso. Eu pensei que você vendo que eu tenho síndrome de Down, não iria gostar de mim.

Minha mãe acha que é bobagem. "Você já conheceu alguém que não gosta de você, porque você tem a síndrome de Down", ela me pergunta. Ela está certa, é claro. (Ela geralmente está!).

Quando as pessoas me perguntam o que é a síndrome de Down, eu digo lhes que é um cromossomo extra. Um médico lhe diria que o cromossomo extra provoca uma deficiência intelectual, que torna mais difícil para eu aprender as coisas. (Por exemplo, algumas das minhas aulas estão em uma "sala de recursos", onde as crianças com vários tipos de dificuldades de
 aprendizagem são ensinadas em um ritmo diferente.).
 
Quando minha mãe me disse pela primeira vez que eu tinha síndrome de Down, eu me preocupei que as pessoas pudessem pensar que eu não era tão inteligente como eles eram, ou que eu falava ou parecesse diferente.

 Eu só quero ser como todo mundo, por isso às vezes eu gostaria de poder
 devolver o cromossomo extra. Mas ter a síndrome de Down é o que me faz
 "eu". E tenho orgulho de quem eu sou. Eu sou trabalhadora, uma pessoa boa, e eu me preocupo com os meus amigos.
 
Muito parecido com você

Mesmo que eu tenha a síndrome de Down, a minha vida é muito parecida com a sua. Eu leio livros e assisto TV. Eu ouço música com meus amigos. Estou na equipe de natação e no coro da escola. Eu penso sobre o futuro, e com quem vou casar. E eu fico junto com as minhas irmãs, exceto quando tomam meus CDs sem pedir!
 
Algumas das minhas aulas são com crianças típicas, e algumas são com
crianças com dificuldades de aprendizagem. Eu tenho um assessor que vai
comigo para as minhas aulas mais difíceis, como matemática e biologia. Ela me ajuda a tomar notas e me dá dicas de como eu devo estudar para as
 provas. Isso realmente ajuda, mas eu também me esforço para fazer o melhor. Por exemplo, meu objetivo era estar em uma aula de Inglês regular no 12 º ano. E isso foi exatamente o que aconteceu este ano!
 
Mas às vezes é difícil estar com as garotas comuns. Por exemplo, eu não
dirijo, mas um monte de garotas na minha escola dirigem. Eu não sei se vou ser capaz, e isso é difícil de aceitar.
 
 Dream Job: Cantor

Eu tento não deixar coisas como estas me aborrecerem e apenas pensar em
todas as coisas boas da minha vida. Como, por exemplo, que eu publiquei
duas músicas. Uma das coisas que mais gosto de fazer é escrever poesia, e
um cantor conhecido do meu pai gravou alguns dos meus poemas.
 
Neste momento alguém está cantando minhas músicas, mas algum dia, eu quero ser o a pessoa a cantar. Eu sei que isso vai acontecer. Um dia eu olhei no espelho e imaginei alguém, uma pessoa famosa, e eu soube: eu vou ser uma cantora.
 
É verdade que eu não consigo aprender algumas coisas tão rápido quanto os outros. Mas isso não vai me impedir de tentar. Eu só sei que se eu
 trabalhar duro e for eu mesma, eu posso fazer quase tudo.
 
 See Me

Mas eu ainda tenho que me lembrar o tempo todo que é OK ser eu mesma. Às vezes, tudo o que vejo, tudo o que eu acho que as outras pessoas vêem é a minha aparência, não o meu interior. E eu realmente quero que as pessoas se aproximem e vejam como realmente sou.

Talvez seja por isso que eu escrevo poesia para que as pessoas possam
descobrir quem realmente sou. Meus poemas são todos sobre os meus
sentimentos: sobre minha esperança, sobre quando eu me machuco. Eu não tenho certeza de onde as idéias vêm, eu só procurá-las na minha cabeça. A sensação que tenho é que vêm de dentro de mim direto para o papel.
 
Eu não posso mudar o fato de ter síndrome de Down, mas uma coisa que eu mudaria: é a forma como as pessoas me enxergam. Eu diria a eles: Julge-me como uma pessoa inteira, e não apenas a pessoa que você ver. Trate-me com respeito, e aceite-me por quem eu sou. O mais importante, ser apenas meu amigo.

Afinal de contas, eu faria o mesmo por você.

 O que é Síndrome de Down?

Síndrome de Down é uma deficiência intelectual que ocorre em cerca de 5.000 bebês nos Estados Unidos que nascem a cada ano. Uma pessoa com síndrome de Down tem 47 cromossomos, estruturas microscópicas que carregam a informação genética para determinar quase tudo sobre uma pessoa. A maioria das pessoas tem apenas 46 cromossomos. É o cromossomo extra que pode causar certas características físicas (tais como baixa estatura e olhos amendoados) e atrasos na fala e no desenvolvimento.
 
Ainda assim, as pessoas com síndrome de Down são muito parecidos com você: Elas são pessoas únicas, com pontos fortes e talentos.


http://www.patriciaebauer.com/2008/04/08/melissa-riggio-dies-at-20-inspired-changes-in-bookselling-publishing-1910/

http://kids.nationalgeographic.com/kids/stories/peopleplaces/downsyndrome/


Ouça as músicas dela:
Gosto particularmente dessa:


sábado, 28 de dezembro de 2013

Inclusão : ampla, geral e irrestrita: Engaiolados

Inclusão : ampla, geral e irrestrita: Engaiolados

Excelente artigo de Fábio Adiron, comentando a derrota da inclusão frente aos segregacionistas na votação do PNE:

Engaiolados

Eles poderiam estar aí agora trabalhando a seu lado no escritório, na fábrica, no campo.


Poderiam estar à sua frente para atender na loja em que você entrou para comprar o seu presente de Natal.


Poderiam estar sentados a seu lado num banco escolar de primeiro, segundo, terceiro ou infinito graus.


Eles poderiam estar na mesma balada que você ou seus filhos vão. Ouvindo a mesma música, bebendo o mesmo energético.


Eles poderiam nadar na mesma piscina, frequentar as mesmas quadras, passear nos mesmos parques.


Eles poderiam ter amigos, namoradas, namorados, cônjuges e, por que não, até amantes.


Eles poderiam estar entre pessoas brancas, negras, amarelas. Gordas, magras, altas, baixas. Loiras, morenas, ruivas, de cabelo liso ou muito encaracolado.


Eles poderiam tudo que todos podem.


Mas ainda não podem...


Pois alguns muitos se beneficiam deles estarem confinados em gaiolas reais ou virtuais.


Pois não poucos acreditam que eles só podem fingir de viver entre iguais, não estudar entre iguais, não trabalhar entre iguais.


Pois tantos crêem que a superproteção é uma forma de amor, quando não passa de uma forma de destruir vidas.


E vão continuar engaiolados enquanto os donos das gaiolas receberem dinheiro para mantê-los nelas.


Enquanto os especialistas sustentarem o mito da incompetência dos generalistas.


Enquanto os generalistas não acreditarem na sua capacidade de lidar com a diversidade.


Enquanto a população achar mais barato uma doação caridosa que uma aceitação incondicional.


Enquanto os pais acreditarem mais na mídia do que nos seus filhos.


"Mas o que eles não sabem


Não sabem ainda não


É que na minha terra


Um palmo acima do chão

Sopra uma brisa ligeira

Que vai virar viração

Ah mas eles não sabem

Que vai virar viração"*
*parte da letra de Viração de Kleiton e Kledir Ramil